Governo Tira Força Aérea do Combate a Fogos

MAI rejeita pagar despesas com frota à Força Aérea. Estado obrigado a contratar aeronaves privadas para suprir falhas dos Kamov.

O Ministério da Administração Interna chumbou a concentração na Força Aérea de meios aéreos do Estado para o combate aos fogos e emergência médica, uma medida que tinha sido preparada pelo anterior Executivo, soube o JN.

A Força Aérea (FAP) estava disponível para receber os meios, mas com reforço dos recursos humanos e materiais, uma vez que as despesas iriam aumentar. A titular do Ministério, Constança Cunha de Sousa, recusou, não obstante a transferência representar uma redução de custos para o ministério e continuar sem se saber quando estará a frota de Kamov toda pronta para operar. Dos cinco hélis pesados apenas voam três, o que já obrigou o MAI, em 2015, a recorrer ao aluguer de aeronaves a privados para suprir a lacuna.

Este ano, voltou a acontecer o mesmo. E a situação poderá repetir-se no próximo ano, pois as previsões governamentais apontam apenas para mais um Kamov pronto em 2017. Os custos não são conhecidos, mas a hora de voo de uma aeronave similar ao Kamov não será inferior a 4 mil euros e a reparação dos dois hélis avariados custa oito milhões.

A concentração tinha sido pensada pelo anterior Governo para conseguir uma melhor gestão financeira das frotas, maior transparência, fazer subir a taxa de utilização e evitar novos processos judiciais, alguns a decorrerem como processos-crime, outros civis, envolvendo milhões em indemnizações. A conclusão tinha surgido também com a extinção da EMA, criada por António Costa, depois de se verificar que a gestão da frota tinha sido deficiente.

Uma vez que a frota de combate aos fogos é apenas usada de junho a setembro, ficando o restante do tempo praticamente parada, com a passagem da gestão e operação para a FAP poderia ser dado mais uso às aeronaves, os caros e problemáticos Kamov e os três ligeiros Ecureuil B3.

O projeto não seria de aplicação imediata, uma vez que há contratos a decorrer com a Everjets, que ganhou a gestão e operação da frota dos Kamov, até 2019, por 48 milhões. Mas a junção formal seria um primeiro passo, uma vez que são necessários pelo menos dois anos para treino e certificação e pilotos e mecânicos, segundo salientaram fontes militares.

O processo foi lançado pelo anterior ministro da Defesa, Aguiar Branco, que mandou fazer um estudo de viabilização à Força Aérea, em acordo com a anterior ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues. Foi nomeado um grupo de trabalho, onde entravam elementos da FAP, do MAI e Proteção Civil e do Ministério da Saúde. O estudo ficou pronto em setembro, mas a nova ministra Constança Cunha de Sousa quis manter a atual situação. Contactado elo JN, o MAI justificou que “atendendo à posição da Força Aérea Portuguesa”, que não considera a hipótese de assumir a operação e manutenção dos Kamov, “não pretende alterar o atual modelo de gestão de meios aéreos.”

Fonte: Jornal Notícias (edição impressa)

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