Opinião: Uma Homenagem Esquecida

Rotunda dos Bombeiros da Figueira da Foz

“Era uma vez…”, é assim que começam imensas crónicas.

Esta, começa de forma diferente: “Deveria ser uma vez…”

Deveria ser uma vez… porque não o é, e nunca esteve perto de o ser.

Falo-vos de uma rotunda, junto a um posto de combustível, numa artéria recente de uma cidade à beira-mar plantada, no caso, a Figueira da Foz.

Algures na Freguesia de Tavarede, encontra-se a mais movimentada rotunda da urbe, a quem alguém, um dia decidiu atribui o nome de “rotunda dos bombeiros da Figueira da Foz” (proposta de homenagem apresentada por Lídio Lopes, na qualidade de deputado municipal).

Esses bombeiros, os tais que a rotunda pretende homenagear, foram aos armários buscar os melhores fatos de cerimónia e deram-lhes brilho. Prepararam os capacetes. Limparam os machados e engraxaram os sapatos. Afinal não é todos os dias que a autarquia decide prestar tamanha homenagem aos bombeiros figueirenses.

Com toda a pompa e circunstância que o momento exigia, bombeiros e entidades estiveram presentes numa manhã quente de sábado (28/05/2011), onde de forma orgulhosa fizeram guarda de honra ao descerramento da placa toponímica, que foi erguida no centro da referida rotunda. Seguidamente, Bombeiros Municipais e Voluntários fizeram um desfile motorizado, em conjunto, pelas ruas da cidade, deixando assim vincado a importância do dia.

À data desta inauguração, e na presença de Duarte Caldeira e Fernando Curto (presidente da Liga de Bombeiros Portugueses e Presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais respetivamente), João Ataíde, edil figueirense prometeu publicamente, que ali seria erigido um elemento escultórico, “logo que fosse (financeiramente) possível”, de forma a dar expressão física e condigna à homenagem.

Fernando Curto, Lidio Lopes, João Ataíde e Duarte Caldeira
Da esquerda para a direita: Fernando Curto, Lidio Lopes, João Ataíde e Duarte Caldeira

Sabemos que os tempos são de crise. E sabemos que a Câmara Municipal da Figueira da Foz tem feito um esforço financeiro brutal.

Mas, ainda assim, passaram quase cinco anos. Pelo meio, foi alvo de uma proposta do orçamento participativo que a autarquia lançou, perdendo por escassos votos .

Enquanto isso, a rotunda contínua igual (com mais ervas!), a população continua por ali a passar, contruíram um posto de combustível e continuam os figueirenses sem saber que naquele local se deveria prestar uma singela (mas pública) homenagem aos soldados da paz que diariamente (com claro prejuízo familiar, pessoal, social e laboral…) continuam a defender todo o concelho.

O tempo agora, é de “arrepiar” caminho e de uma vez por todas construir a justa e sentida homenagem aos bombeiros da Figueira da Foz, que contam com uma história de duas corporações (outrora três…) repleta de êxitos que se estendem ao longo de mais de 150 anos.

Espero, sinceramente, que esta não seja a resenha histórica de uma rotunda com a morte anunciada, e que em breve eu possa escrever: “Era uma vez… uma homenagem que tardou, mas chegou!”

Luís Gaspar

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