Comemora-se hoje em toda a Europa o dia do 112, Número Europeu de Emergência.
Criado em 1991 e desde 2008 passou a ser o único número de emergência, possível de ser usado por qualquer telefone em qualquer país da União Europeia de forma gratuita.
O 112 é a forma que qualquer cidadão têm de pedir ajuda para qualquer situação de emergência que encontre, neste número são triadas todas as chamadas recebidas e encaminhadas para os devidos destinos, sejam elas de assistência na saúde, de segurança, incêndios entre outras.
Há muitos anos a esta parte que qualquer operacional de rua, que faça e trabalhe com estas centrais percebeu que muito há a fazer para melhorar um sistema que está em evolução desde 1991, 24 anos.
O número que centralizou todas as emergências numa só linha esqueceu-se de unir todas as forças de resposta numa só sala, há semelhança de outras centrais europeias o 112 é apenas uma porta de entrada em que chamadas são encaminhadas para outras entidades separadas fisicamente e dependentes de mais tecnologias e linhas telefónicas, falíveis e nunca igualáveis ao poder da palavra e do frente-a-frente.
Certo que o centro operacional 112.pt que neste momento ainda só está a sul de Portugal veio unir e dar eficiência, mas muito há a fazer e ainda há uma grande parede chamada INEM e CDOS que continuam a estar em salas distintas.
O INEM e os CDOS continuam a ter as suas próprias salas, separadas fisicamente, estas mesmas separações provocam muitas vezes perdas de tempo nos acionamentos.
O socorro a situações de emergência pré-hospitalar, de cumprimento da lei ou de acidentes e combate a incêndios continuam a ter vários níveis de passagem da chamada do cidadão separados geograficamente até à ativação do meio de socorro.
Ou seja, desde o momento em que liga 112 até ao acionamento de um meio de socorro pode dar-se o caso, de como já está a acontecer no centro operacional 112.pt sul, chegar primeiro o agente de polícia que os bombeiros a um incêndio. Não porque os bombeiros demorem mais tempo a sair mas porque o 112.pt aciona imediatamente a policia via rádio georreferenciado e os bombeiros terão ainda que ser acionados via CDOS. Só depois o mesmo CDOS contacta os Bombeiros. Entretanto vários minutos vão passando.
Pior do que isso, é as pessoas terem de ligar 112 fingindo que estão em casa, para darem conta de uma situação de emergência pré-hospitalar aos CODU, quando a vítima já está no quartel de bombeiros, dentro da ambulância pronta a arrancar mas sem a chamada do familiar ao 112 e triagem pelo CODU a situação pode não ser considerada urgente pelo INEM e dar-se o caso de haver problemas administrativos ou problemas no acionamento de meios diferenciados. Brincamos aos Bombeiros e aos médicos ultimamente.
Para ser a cereja em cima do bolo, tendo em conta os últimos acontecimentos conhecidos pela comunicação social, ligar 112 e ser encaminhado para o INEM não significa socorro imediato, a chamada pode demorar minutos a ser atendida, vários minutos para serem acionados meios e os tripulantes vários minutos a acionar pedidos diferenciados para apoio medicalizado às ocorrências.
Ou seja é bem provável que ligue para o 112 mas morra entretanto.
No entanto a culpa é do desinvestimento generalizado na saúde que tem colocado o Serviço Nacional de Saúde doente e em estado crítico, deixando muitos portugueses morrerem por falta de assistência.
Troikas!
Feliz dia Europeu do 112 e que para o ano estejamos melhores.
Ricardo Correia
Diretor do Portal BPS
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