Incêndio na Ribeira do Porto não causou feridos

Ainda não se conhece a origem das chamas. O sinistro deixou os moradores desalojados.

O incêndio que deflagrou na manhã desta terça-feira na Ribeira do Porto não causou vítimas, mas os habitantes do prédio afectado pelas chamas tiveram de ser realojados. As origens do fogo, que terá deflagrado pelas 11h30, não foram ainda apuradas.

O prédio, um edifício de quatro andares, estava habitado por várias famílias, que se vêem agora sem casa. Joana Monteiro, de 27 anos, moradora do 1.º andar do prédio, dizia, aflita, ao PÚBLICO: “Moro com a minha mãe e as minhas irmãs, e não temos onde morar. A câmara tem de nos dar uma casa”. O descontentamento era aliás evidente, com vários habitantes a reclamar ao vereador da Protecção Civil, Manuel Sampaio Pimentel, alterações na Ribeira do Porto. Queixavam-se, sobretudo, da falta de água nas bocas-de-incêndio e acusavam-no de “tentar esconder” os problemas daquela zona, que é actualmente uma grande atracção para os turistas. No entanto, Sampaio Pimentel rejeitou as acusações: “O levantamento é feito com regularidade e onde não há falta de água, posso garantir, é na ribeira do Porto”, salienta.

Noémia Campos, de 69 anos, tinha a mãe a morar no prédio: “Não tenho casa para ela, têm de lhe dar uma casa aqui”, insistia, reiterando que a progenitora “não pode ir para o bairro”, referindo-se aos bairros sociais para onde muitos moradores da zona histórica foram transferidos nas últimas décadas. O actual executivo da Câmara do Porto tem repetido que essa não é a política que está agora em vigor mas, de momento, não havia uma solução clara para estas famílias. No imediato, contudo, e como é habitual nestes casos, seriam disponibilizadas casas da segurança social para quem precisasse. Ao final da manhã, o vereador da Protecção Civil garantia que os serviços já estavam “a accionar os mecanismos normais e que têm respondido com profissionalismo”.

A dúvida sobre a presença ou não de alguns habitantes no edifício, no momento em que o incêndio deflagrou, manteve-se durante toda a manhã. No local, corria a informação que duas pessoas costumavam “pernoitar” no último piso do prédio e o receio de que pudessem estar no interior manteve-se até os bombeiros conseguirem entrar nessa zona. Contudo, ao início da tarde, o Comandante do Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto, Rebelo de Carvalho, afirmou: “Quando não temos a certeza temos de proceder à investigação, mas confirmou-se que não havia nenhuma pessoa no prédio”. Por esta altura, pelas 13h55, o incêndio já tinha entrado em fase de rescaldo.

Aos jornalistas, Rebelo de Carvalho afirmou ainda que “no interior do edifício havia material, como papel e roupa, que alimentava a carga térmica no desenvolvimento do incêndio”, mas não confirmou qual a possível causa e origem do mesmo, sublinhando que a investigação será feita, como de costume, pela Polícia Judiciária.

O incêndio atraiu as atenções de habitantes e turistas, com muitos deles a manterem-se junto à Rua do Cimo do Muro a assistir à intervenção dos bombeiros. Do prédio, um edifício antigo daquela artéria, saía fumo por todas as janelas. O acesso dos bombeiros teve de ser feito através de gruas, uma vez que a escada do prédio ficou inutilizada devido ao incêndio. Ao final da tarde de terça-feira, fonte do Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto confirmou ao PÚBLICO que ainda se encontravam em fase de rescaldo, por ser “uma situação complicada”, bem como da ausência de confirmação quanto ao número de pessoas desalojadas.

Fonte: http://www.publico.pt/ | JOANA GUIMARÃES | Texto editado por Ana Fernandes

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