Ao longos dos anos os Bombeiros, por imperativo da necessidade de responder aos desafios do desenvolvimento de uma sociedade mais competitiva e com mais riscos, têm vindo a ter cada vez mais formação, e cada vez mais diferenciada.
A formação que no passado em que o conhecimento era transmitido com base na experiência de cada um, em que os procedimentos eram os que consensualmente estavam aceites, é hoje diferenciada pelo surgimentos de conceitos uniformizados e padronizados, assentes em bases cientificas, em que se se ultrapassou o conceito exclusivo do “saber fazer” para um conceito do “ porquê e como fazer” .
Um marco nesta mudança foi o surgimento da ENB, que permitiu a uniformização dos saberes e consequentemente a uniformização da formação ministrada aos bombeiros, adotando inicialmente uma metodologia organizada com objetivos devidamente definidos que permitiram uma mudança real e uma melhoria qualitativa do socorro prestado, algo que hoje tenho duvidas de existir.
No entanto é necessário perceber que formar não é só transmitir conteúdos, mas sim também os avaliar resultados, ou seja, saber se a formação ministrada trouxe ou não uma mudança e se esta foi realmente de encontro às necessidades, neste caso do socorro ministrado.
Para se obter os resultados pretendidos é necessário que os conteúdos a ministrar sejam os adequados, se são aqueles que realmente vão permitir gerar a mudança e o desenvolvimento necessário, e para isso necessitam de tempo e espaço adequado para serem ministrados.
Ao contrario do que foi o inicio da formação com o surgimento da ENB, hoje assistimos a mudanças constantes nos conteúdos formativos, em que impera a redução dos tempos de formação, já para não falar dos conceitos científicos, com a desculpa de que a maioria dos bombeiros são voluntários, ficando esquecido o principal objetivo que é o servir quem necessita, ou seja, a formação não deve estar condicionada a quem a frequenta, mas sim ao objetivo final que é a prestação de um socorro adequado.
Atualmente tenho a perceção que o objetivo final é aquele que menos importa, ou seja, estamos cada vez mais a passar certificados que na pratica não certificam nada.
Exemplo disso, é a preocupação levantada pela ENB do facto ou possibilidade dos tempos referentes à formação em emergência pré-hospitalar ser aumenta para 600 horas, em que condiciona o acesso a aqueles que são bombeiros voluntários… mas será que ninguém pensa nas vítimas? Será que estas não tem o direito de serem assistidas por pessoal devidamente formado?
Na nossa vizinha Espanha, a formação do TES (equivalente ao nosso TAS) é de 1200 horas, em Inglaterra era 1500 horas, hoje é uma licenciatura, e muitos mais exemplos poderiam ser dados, porque razão em Portugal estamos a limitar o socorro, só porque alguém acha que o pessoal não pode disponibilizar tempo para a formação.
Se assim for o pensamento então acabe-se com os cursos de enfermagem, medicina e afins.
A solução não passa pela redução de conteúdos nem de tempos formativos, à semelhança do que aconteceu com o atual curso de tripulantes de ambulância de socorro, mas sim, com novos modelos de formação, assentes nas novas tecnologias. Tenham a capacidade de os desenvolver e implementar sem invenções como aconteceu com o atual modelo RTAS imposto pelo INEM em EaD, ministrado na ENB.
Se querem ter formação que responda ás necessidades reais do socorro, ouçam os técnicos, ouçam as vítimas, e não tratem a formação como uma bandeira politica de obtenção de protagonismo fácil ou para aquisição de votos para este ou aquele organismo.
Os doentes e sinistrados agradecem.
Nelson Teixeira Baptista
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