Monchique Quer Criar “Condomínio Florestal”

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A ideia de criar um Regulamento Municipal da Floresta é inovadora, mas não passa apenas por taxar atividades ligadas à floresta. Aliás, nem é essa a pretensão de Rui André, presidente da Câmara Municipal de Monchique. O objetivo é mesmo regular o território para evitar males maiores ou conflitos entre iniciativas diferentes.

O último incêndio fez disparar os alarmes da necessidade de criar regras do espaço, reforçando a ideia que já tinha sido apresentada durante uma reunião de balanço, no dia 7 de setembro, sobre o incêndio na Encosta da Fóia. Nessa altura arderam 381 hectares, número elevado dez vezes após, nessa mesma tarde, o reacendimento das chamas que estavam prestes a ser dadas como extintas.

Aquilo que o autarca quer implementar pode ser encarado como uma espécie de condomínio florestal. Na prática, a Câmara Municipal de Monchique quer colocar em ação um Regulamento Municipal da Floresta, que se foque, numa primeira fase, «na extração de madeira», resumiu.

Uma das questões apontadas como exemplo pelo autarca está ligada ao combate de incêndios. «No do dia 1 de julho, a progressão das máquinas e dos bombeiros no terreno foi dificultada», pois houve proprietários que estiveram a cortar madeiras e deixaram «estradas completamente obstruídas, quer com máquinas, quer com madeira».
Para o edil esta é uma questão que não pode ser deixada ao sabor do bom senso de cada um dos donos de terrenos. «Sabemos que há sempre pessoas com mais ou menos consciência e sem uma regulamentação esta consciência fica ao critério de cada um. E nós não queremos que isto aconteça», justificou.

Ora, as regras e normas serão aplicadas através de licenciamento municipal para extração de madeira. «Quero saber quem está a tirar madeira, que máquinas está a usar, qual o período em que vai trabalhar, se vai usar matérias primas perigosas… Queremos saber e ser parte ativa, tendo como objetivo uma monitorização das atividades no concelho, com acesso a informação privilegiada», defendeu.

Esse envolvimento da autarquia poderá ainda abrir portas a uma sensibilização para a criação de mosaicos de corte, que, algumas vezes, são as zonas onde se consegue parar os incêndios. Aproveitando ainda a oportunidade será possível alertar os proprietários para a necessidade de existirem pontos de água e faixas de gestão de combustível. Ou seja, uma espécie de condomínio florestal, que permita gerir «um território essencialmente detido por privados», conciliando soluções que beneficiem o conjunto, disse ainda.

Fonte: barlavento – Semanário Regional do Algarve

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