Opinião: 25 Anos de História, o Futuro Está na Nossa Mão

Publicidade
Publicidade

25 anos, um quarto de século. 25 anos a consolidar um sindicato de classe, uma estrutura nacional, legítima e representante dos bombeiros profissionais. Tal como muitos dos atuais dirigentes e ex-dirigentes, caí no sindicato de paraquedas por convite, na altura, de um outro bombeiro, dizendo que precisava de um elemento para completar a lista do secretariado regional de Lisboa e Vale do Tejo da ANBP/SNBP. Aceitei muito a custo, porque tinha a perfeita noção que de sindicalismo, pouco ou nada percebia, e que projetos que envolvam a vida e o trabalho de outros são sempre de muita responsabilidade.

Com o passar do tempo, percebi que muitas das minhas reivindicações que eu tinha enquanto bombeiro nos quartéis, e que foram resolvidas, tiveram sempre por trás a chancela da ANBP/SNBP. Percebi que se estivéssemos organizados e que se os nossos dirigentes fossem mais interventivos, as condições de trabalho dos bombeiros iriam ser melhores. Percebi que a profissão de bombeiro é, talvez, aquela que é mais desregulamentada ao nível do seu enquadramento laboral e que se não formos nós a tentar corrigir isso, ninguém o vai fazer por nós.

Tenho partilhado ao longo destes anos todos estes projetos, sempre fazendo parte de uma grande equipa de grandes dirigentes, muitos deles que não aparecem nos jornais ou nas revistas, mas que são fundamentais para estarmos onde estamos hoje. Passado quase 20 anos que ingressei no sindicato, tenho atualmente a responsabilidade como presidente e está na altura de outros avançarem e fazerem evoluir o Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais, o nosso sindicato. O meu exemplo, que aqui estou a referir, demonstra que não é necessário estar ligado a nenhuma estrutura sindical ou política para ser dirigente do SNBP. É preciso sim, trabalho, dedicação e uma grande equipa séria e honesta acima de tudo. Temos que ser sérios em todos os processos e ter coragem para, muitas vezes, dizer aos bombeiros aquilo que eles não querem ouvir, mas que é a realidade que nos rodeia. Com a comemoração dos 25 anos do sindicato, acho que estão criadas as condições e as garantias para que qualquer bombeiro que venha a assumir esta grandiosa instituição o possa fazer numa base mais sustentada e que o permitirá engrandecer ainda mais os bombeiros portugueses.

Como já disse em alguns fóruns internos, temos de estar preparados para combater alguns judas que possam surgir, agora que o sindicato está estruturado, sustentado e com uma linha orientadora bem definida.

Enquanto escrevo este texto, recordo-me de centenas de histórias dos últimos anos: desde reuniões em garagens, cafés, em casa dos próprios bombeiros, funerais de camaradas, reuniões com políticos educados e respeitadores, reuniões com políticos mal-educados e que vergonhosamente chegaram ao ponto de dizer “se as cadeiras não chegarem sentem-se no chão”. Convivi com bombeiros que perderam o emprego, que ganharam emprego, que foram roubados no ordenado, que ganharam em tribunal o direito a esses pagamentos. Acompanhei a negociação de vários estatutos profissionais, propostas não publicadas, governos que caíram, políticos que nos mentiram, mas também conheci grandes homens, grandes governantes, grandes autarcas e, principalmente, grandes bombeiros; pessoas de palavra, sérias, e que muitas vezes reclamavam, e reclamam, reconhecimento e respeito como pessoas, apenas isso. Senti muitas vezes que somos tratados como uma mercadoria, se damos lucro ou não, como se fizéssemos parte de uma empresa de produção em linha.

Por último, deixo um apelo e um alerta para quem vier ocupar esta função: por muito profissionais que possamos ser no tratamento das questões laborais, uma certeza vos deixo, vão passar muitas noites em claro a pensar nos problemas que os nossos camaradas estão a ter, desde despedimentos, dívidas, e até mesmo perceber que alguns estão a passar fome. Esta realidade é a realidade dos sindicalistas que estão no terreno, que falam com os bombeiros na primeira pessoa, é a realidade que os dirigentes do SNBP acompanham diariamente. Como muitos dizem, preferia apanhar um grande “fogacho” a ter que estar a passar por estas situações. Temos que estar no sindicato e encará-lo como uma missão que tem de ser cumprida em memória e respeito por aqueles que fizeram chegar ao ponto que ele se encontra atualmente.

Não posso deixar de referir, e tendo nós uma história recente, porque 25 anos passam a correr, não posso deixar de lembrar o grande dirigente nacional e que foi o primeiro presidente do sindicato, Carlos Leal, que durante muitos anos, e com quem muito aprendi. O Carlos Pereira, dirigente dedicado e que da sua boca nunca ouvi uma má palavra. O Custódio e o José Morais, que são aqueles elementos que ninguém vê, mas que estiveram sempre na sombra e na nossa retaguarda. Todos estes que já referi estão já aposentados, entre outros. O Fernando Curto, que ainda está ao serviço e a quem o sindicato e os bombeiros profissionais muito devem, é com quem ainda hoje troco muitas opiniões sobre os bombeiros e definimos estratégias para o setor. É por respeito ao trabalho destes homens, ex-dirigentes e atuais, e todo o seu sacrifício profissional e pessoal em prol do sindicato e de todos os bombeiros, que temos que nos empenhar ainda mais e dinamizar o sindicato.

O sindicato somos todos nós. É uma história sem fim.

Sérgio Carvalho, Presidente do SNBP

Commentários

Commentários