Será Isto Que Falta Aos Bombeiros?

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Há alguns anos atrás vivi uma experiência fantástica: a vida militar. De lá, trouxe comigo alguns conceitos que me têm sido extremamente úteis na vida civil, particularmente na minha carreira nos RH.

Uma das expressões que mais se ouve durante a recruta e ao longo de todo o serviço militar é precisamente “Espírito de Corpo”. Esta é uma expressão pouco familiar fora das paredes de um quartel, mas que tem uma mensagem poderosa e que não só pode, como deve ser praticada pelas empresas no seu dia-a-dia.

Num vislumbre rápido, o Espírito de Corpo pode ser facilmente entendido como Trabalho em Equipa, mas a verdade, é que este conceito engloba muito mais do que o “simples” trabalhar bem com o seu grupo. A ideia base por detrás deste conceito assenta na premissa de que um determinado grupo de trabalho (ou organização), funciona tal como um corpo humano, e daqui surgem uma serie de noções que ultrapassam em grande escala o “apenas” trabalhar em equipa. Vamos conhece-las?

– Como no corpo humano, todos os membros são úteis e necessários, e como tal, devem ser tratados com o mesmo cuidado e dignidade. – Poderá cair na tentação de pensar que uma mão é mais importante do que um pé. A mão é flexível, pode criar imensas coisas, mas o pé não tem o mesmo potencial, certo? Mas agora pense que os pés não são capazes de levar a mão até à matéria-prima que necessita para criar todas as coisas que pode criar. De repente todo o potencial da mão cai por terra, porque não tem quem a leve onde precisa de ir… Não negligencie os seus colaboradores por achar que o trabalho deles não é tão importante quanto o seu, ou porque pode ter um impacto menor na organização. Na verdade, é exactamente o contrário: quando os colaboradores mais abaixo na hierarquia não realizam o seu trabalho adequadamente, é mais provável que toda a organização sofra. Um exemplo? Imagine um café que faz parte de uma enorme cadeia de cafés. Se o atendimento num determinado local for consistentemente de fraca qualidade, toda a imagem do grupo vai ficar associada a este mau serviço. Há casos tão graves, que nem todas as acções de Marketing podem reverter a percepção do público.

– Tal como o corpo humano, todos os membros/elementos devem estar aptos e devidamente capacitados para desempenhar a sua função. – Na prática, significa que a formação de qualidade não deve ser um luxo das camadas mais acima da hierarquia. Capacitar e desenvolver as pessoas no seu trabalho deve ser uma preocupação constante de todas as organizações. Um bom acolhimento e formação inicial no posto de trabalho é fundamental, mas não nos devemos esquecer que ao longo do tempo, as mutações dos mercados e desenvolvimento tecnológico, fazem com que rapidamente estejamos desactualizados. A formação, é pois uma necessidade e não uma obrigação legal.

O Corpo não é a soma dos seus membros, os membros fazem parte do Corpo. Por outras palavras: as organizações não são a soma das suas pessoas, as pessoas devem efectivamente fazer parte da organização. Isto significa que todos se devem identificar com a cultura e valores da empresa, e sentir que o seu trabalho tem impacto. Um dos maiores factores de desmotivação é precisamente a não identificação pessoal com o local de trabalho, principalmente quando existe conflito moral de valores entre o indivíduo e a organização onde trabalha. Aqui, numa primeira fase, há que existir um excelente trabalho no recrutamento e selecção de novos colaboradores. Posteriormente, (no dia-a-dia), a comunicação, reconhecimento e feedback são fundamentais para que a pessoa sinta que faz parte de algo maior.

Todos os membros/elementos são essenciais. Todas as pessoas da organização, sem excepção, são fundamentais. Não?! Ah, é verdade… o típico discurso de que “ninguém é insubstituível”… Tão aniquilador da motivação e fatal para tantas empresas… ainda acredita que seja mesmo verdade? Imagine, então, o seguinte: uma das suas mãos tem de ser amputada, mas a tecnologia já lhe permite ter acesso a uma mão biónica que lhe permite fazer tudo como se fosse a mão com que nasceu. Funcionalmente, pode considerar-se que está tudo normal, mas não é a mesma coisa, pois não? Assim são as pessoas que trabalham nas organizações. Até podem ser relativamente fáceis de substituir em termos de competências técnicas. Mas as pessoas são muito mais do que isso. São as experiências, as relações humanas, o carácter, a paixão, a vontade, o “amor à camisola”, o querer fazer mais, o importar-se verdadeiramente com a sua empresa. E isto, já não é tão fácil de substituir, pois não?

Um Corpo funciona como um todo. Finalmente chegamos à parte do trabalho em equipa! As diferentes partes do Corpo não se podem dissociar umas das outras. Cada vez mais, o bom funcionamento das organizações depende do bom trabalho em equipa, não só dentro de um determinado departamento, mas também entre departamentos distintos. Aqui a organização e as suas chefias têm um papel fundamenta agregador. É imprescindível que fomentem as boas relações humanas e incentivem ao trabalho em equipa. Isto cria equipas fortes, coesas e motivadas, diminuindo os atritos quando surgem as dificuldades e facilitando a busca de soluções.

O que acharam deste conceito? Será que o Espírito de Corpo vai fazer parte do futuro das organizações?

Elsa Soares in Linked In

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