Opinião: “(…) Afinal o Problema Somos Nós”

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Tiago Martins de Oliveira, é o homem forte da estratégia do governo para os Incêndios Florestais em Portugal, até aqui responsável pelo gabinete de Inovação e desenvolvimento Florestal da Navigator, no mesmo País que ainda à uns dias discutia a febre do Eucalipto em território nacional.

Ao mesmo tempo é  anunciada a medida que em seis anos pretende retirar da frente de fogo os Voluntários.

Desengane-se quem à partida pensasse que isto seria finalmente um assumir do Governo às profundas alterações que as Associações de Bombeiros Voluntários tem sofrido em Portugal, o aumento do pessoal assalariado nos quadros das mesmas é uma realidade inegável e esta nova medida poderia à partida profissionalizar e criar condições para estes e outros homens e mulheres que no dia-a-dia defendem a causa dos Bombeiros Voluntários, da segurança dos bens e pessoas.

Pesa no entanto o parecer técnico de dois relatórios distintos, que de forma clara e peremptória, apresentaram o Voluntariado e respetivas Associações como grandes responsáveis do fracasso das operações de combate a incêndios em Portugal em 2017, sendo por isso, no entender do governo, de necessidade imediata o seu afastamento das frentes de fogo, dando lugar a mais efetivos humanos e materiais na Força Especial de Bombeiros e nas Equipas de combate a incêndios afetas à GNR, à entrada da força aérea, sendo ainda criadas outras equipas, como Sapadores Florestais etc, ficando os Bombeiros Voluntários claramente de fora desta estratégia, por suposta falta de formação e competência.

Ninguém reparou mas o problema não estava na Ministra, na coordenação, nos meios aéreos, nas trovoadas, nos ventos quentes do furacão, nos eucaliptos, na calamidade que é a prevenção, nem nos incendiários, afinal os doutoramentos por correspondência, as nomeações de “boys” para cargos de comando não são a fonte do problema, o problema somos nós.

Resta saber quanto vai custar aos contribuintes a força profissional e especializada de combate a incêndios rurais, que repito, correspondem apenas a 7% de todo o volume de serviço que os Bombeiros prestam em Portugal.

Sendo esta uma nova realidade, é importante pensar o futuro destas associações voluntárias espalhadas pelo País arredadas de um combate que faz parte da sua essência enquanto Bombeiros e protetores dos bens públicos e privados.

O que serão estas associações depois de uma previsível migração em massa dos seus efetivos mais novos para estas forças, agora anunciadas? Ficaram os Bombeiros mais novos agarrados a Associações Voluntárias descredibilizadas, ou partirão naturalmente para preencher as fileiras das novas forças anunciadas pelo governo, qua naturalmente lhes dará melhores condições profissionais?

Vamos ver Bombeiros de todas a pequenas localidades, a fazer pela vida e a ingressar nas novas equipas, deixando cada vez mais desfalcado o Quadro Ativo dos Bombeiros em Portugal.

O que vão fazer as Associações, com menos apoios e efetivos quando forem chamados quando o plano falhar em pleno combate? Onde e como estarão os Bombeiros em Portugal nessa altura? Quais serão realmente as alterações e consequências que vamos sofrer?

Esta não é uma reformulação, este é um fim anunciado do Voluntariado em Portugal, é importante estar atento, não vá este País de um dia para o outro transformar-se num enorme Eucaliptal, liderado pela a industria do Papel, engolido num mar de fogo e gastador de milhões numa reforma que discrimina quem tanto deu de borla a um governo que agora os põe de lado.

Assim é ser Bombeiro Voluntário, hoje, numa casa a arder chamada Portugal.

Nuno Almeida

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