Opinião: Os Assalariados, a Classe Que Não Existe

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Eles fazem a esmagadora maioria do serviço de Emergência Médica em Portugal, transportam doentes, apagam fogos, abrem portas, salvam gatos, escoam cheias, limpam o chão do quartel, dão uns toques na mecânica, tratam da escrita, atendem telefones, conduzem viaturas, alguns servem no Bar.

Eles tripulam ambulâncias do INEM, conduzem viaturas de transporte, cortam árvores, tripulam barcos, chefiam equipas de resgate, comandam teatros de operações, são, por norma, os primeiros a aparecer a cada sinistro, em qualquer localidade do Portugal distante ou mais próximo.

São Bombeiros Profissionais em Associações Voluntárias e que, por isso, nunca chegam a ser Bombeiros Profissionais; são trabalhadores não qualificados, muitos deles com formação adequada, dezenas de anos de Bombeiros, a prestar um serviço público, altamente profissional, que, à luz do estado e da lei do trabalho, não existe.

Confuso? Sim. Cansativo, mal remunerado, a maioria das vezes sem condições mínimas de trabalho.

São Tripulantes de ambulância, motoristas, empregados não qualificados, empregados de escritório, entre outros nomes e funções diversas que, de casa em casa, vão chamando a esta classe desconhecida. São trabalhadores nos Bombeiros, são Bombeiros, mas não são Bombeiros de profissão.

O Bombeiro Assalariado, uma classe crescente, fruto da necessidade de financiamento próprio, fruto da assinatura de contratos com o INEM, Segurança Social, Hospitais, entre outros, foram sendo empregados nas Associações Humanitárias dos Bombeiros Voluntários, assegurando o dia-a-dia de uma sociedade que todos os dias exige prontidão e profissionalismo no socorro, no transporte geral de doente, nos incêndios …

São profissionais, são, também, Voluntários, fazem piquetes de Voluntário, vão a formaturas de forma Voluntária, respondem a situações de socorro fora do seu horário de trabalho.

São grande parte do cartaz que promove o INEM, a Autoridade de Protecção Civil, o ISN, entre outras imagens de marca, aceites e aplaudidas na opinião pública, mas são homens e mulheres sem nome, não constam nos créditos finais, ninguém sabe quem são, nem quantos são.

Trabalham diariamente mas não pertencem a uma classe, não têm planos de carreira, não têm vida pessoal, têm horas infinitas de serviços prestados, como assalariados, como Voluntários, como assalariados não remunerados (não se sabe muito bem, não se quer saber, ou não querem que se saiba).

Confuso?

Sim. Cansativo, mal remunerado, a maioria das vezes sem condições mínimas de trabalho.

Assim é ser Bombeiro Assalariado em Portugal, seja lá o que isso for…

Nuno Almeida

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