Voluntários de Anadia: Comando e Direcção de “Costas Voltadas”

Foto meramente ilustrativa
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Há um mal-estar na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Anadia, concretamente no relacionamento entre os órgãos sociais da instituição e o comando. São, aliás, ambas as partes que o confirmaram ao «Bairrada Informação). O assunto tem sido alvo das mais diversas manifestações nas redes sociais, o que levou à intervenção da bancada do Movimento Independente Anadia Primeiro (M.I.A.P.) em Assembleia Municipal.

O clima de “instabilidade” nos Bombeiros de Anadia foi oficialmente tornado público na última Assembleia Municipal, pela bancada do M.I.A.P., que apresentou uma moção, que visa o apoio do órgão à Associação e apela a que os problemas “se resolvam de forma verdadeira e duradoura, entre portas e não na praça pública”.

O documento, aprovado com vinte e quatro votos a favor e sete abstenções, apela para que “rapidamente” a Associação “descubra e acione os meios necessários à sua renovação, revalorização, à cativação dos descontentes e de novos elementos”, até porque, lê-se ainda “a população do concelho merece continuar a contar com os seus bombeiros” e estes “merecem” que “a população continue a olhar para eles como pessoas de bem”.

Ao «Bairrada Informação», Emanuel Maia, presidente da mesa da assembleia-geral da Associação, confirma uma “erosão no relacionamento” entre comando e os órgãos sociais e manifesta preocupação, uma vez que está em causa “o cumprimento da missão inerente à corporação dos Bombeiros”.

Uma corporação que refere “já ter sido uma referência a nível distrital, o que agora está a ser colocado em causa”. “O número de Bombeiros diminuiu e há relatos, por parte de munícipes e sócios da Associação, de descontentamento pelo serviço prestado”, garante.

Numa conversa onde também esteve Mário Teixeira, presidente da direção dos Bombeiros de Anadia, os dirigentes garantem que “as entidades legais têm conhecimento da situação”. “Temos alertado e insistido com estas estâncias – Comandante Operacional do Distrito de Aveiro e Associação Nacional da Proteção Civil, por exemplo – para que haja uma solução e se recupere a normalidade”, afirma Emanuel Maia, acrescentando que “a situação inviabiliza o diálogo e sem diálogo não há concordância”.

O ponto de partida, do “clima de instabilidade”, está na diferença de “entendimento” do que dizem ser as funções do comando em contrapartida aos dos órgãos sociais. “Há uma tentativa de sujar o bom nome de uma instituição com oitenta e quatro anos e o que se precisa é de uma Associação forte, unida e coesa”, continua Emanuel Maia, concluindo que vê “com bons olhos, todas as diligências que sejam feitas na superação do problema”.

Contactada pelo nosso jornal, Ana Matias, comandante da corporação de Anadia, declara que “efetivamente existem constrangimentos que têm vindo a ser sentidos pelo corpo de bombeiros, que derivam da relação órgãos sociais/comando e corpo de bombeiros”. “Vejo com satisfação a aprovação da moção em Assembleia Municipal, que tive oportunidade de presenciar e julgo até que esta deverá ir mais além, no sentido de ser avaliada a possibilidade de constituir uma comissão ou um grupo de trabalho isento que possa interceder e avaliar o desempenho global de todos os órgãos”, apela.

Ana Matias acrescenta ainda que já solicitou “a intervenção de várias entidades”, cuja atuação continua a aguardar. “Estou e estarei sempre disposta a colaborar e sobretudo tranquila”, confessa a comandante, assegurando que “independentemente de todos os fatores internos e externos que possam contribuir para amenizar ou, pelo contrário, fomentar esse dito mau estar, o que se mantém é a disponibilidade, a preparação e o esforço dos bombeiros na prestação de socorro à população. E isso é que é de enaltecer”.

 Mónica Sofia Lopes in Bairrada Informação

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