Opinião: O “Show” das Sirenes

Créditos: Facebook da VMER de Viana do Castelo
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Na génese humana, está, antes de qualquer coisa a preocupação familiar e pelos “seus”.

“São autênticos atropelos à paz e tranquilidade pública”, é assim definido por muitos, o uso excessivo do avisador sonoro especial (vulgarmente conhecido por “sirenes”). Há localidades e zonas que sofrem bastante com este “flagelo” imprimido pelas equipas de socorro.

Aos olhos de um comum cidadão que desconhece por completo os meandros do socorro e da emergência pré-hospitalar, um veiculo que circule a totalidade (ou quase) do seu percurso com as “sirenes” ligadas, significa uma “catástrofe”, o que, não esmagadora maioria dos casos é falso e não corresponde à verdade.

Este uso abusivo, desmesurado, excessivo, sem critério e assentando as suas premissas numa imagem de “show”, cria na população em geral um sentimento de preocupação, insegurança e temor.

Não é por isso, justificável este uso doentio das “sirenes”, ainda que, a Lei considere um veiculo em missão urgente de socorro, quando este faça uso dos avisadores especiais sonoros e luminosos cumulativamente (um argumento que cai por terra, ao constatar-se que as mesmas equipas no período nocturno não recorrem à “sirene”).

Ademais, vezes sem conta, este uso excêntrico provoca nos utentes da via uma “não reacção”, ou seja, um comportamento errado ou inadequado à presença do veiculo de socorro.

Não posso deixar de referir que nesta temática, as viaturas médicas de emergência e reanimação (VMER) são o expoente máximo do comportamento erróneo: todos sabemos os motivos, mas não importa aqui enumera-los.

Cabe ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) formar e sensibilizar os tripulantes deste meio.

É importante mostrar-lhes e comprovar-lhes que esta não é uma questão menor, antes pelo contrário, este é, um tema complexo e de elevada importância, uma vez que cria alarme social.

Não poderia, uma vez que chamei o INEM a “terreiro” e porque possui um papel preponderante na formação, deixar de dar uma palavra de apreço aos tripulantes dos restantes meios daquele Instituto pelo seu comportamento assertivo no uso da sinalização de emergência (no caso, a sonora).

Quanto aos bombeiros, por regra (e refiro-me apenas a esta matéria), vejo que possuem índices elevados de um bom e exemplar comportamento estradal quando no exercício das suas funções de socorro.

Assim, apelo a cada bombeiro que mantenha esta conduta, não se deixando em momento algum tomar de “assalto” pela “excitação” da velocidade, das sirenes ou da missão que lhe está confiada.

Disse,
Luís Gaspar

 

 

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