Opinião: Um País “à Grande”

Foto meramente ilustrativa
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Raramente sonho. Esta noite, sonhei. Daqueles sonhos pela manhã. Sonhos matinais, daqueles “meio acordado”.

Vou partilhar convosco!

Sonhei que vivia num país rico, farto, abastado.

De amplos recursos. Vastos meios. “Gente” do socorro a “montes”. Helicópteros, televisões e auto estradas cortadas. Bem ao jeito norte-americano, sabem? Luzes, muitas luzes, veículos imponentes, “marketing” e socorristas a mais para tragédia a menos.

Num país de autocarros grandes, apinhados de pessoas. Num país de gigantes incêndios, relatórios e acidentes. Acidentes com muitas vítimas. Tantas, que cinco ou seis mãos não chegam para as contar.

Num país, de gente com pensamento “grande”. De gente de capacetes brancos, outros tantos, muitos, de coletes amarelos. Tantos que nem os mídia sabem quem “manda”. Nem eles. Também nunca ninguém lhes explicou quem é o “galo da capoeira”.

Um país de francos recursos financeiros. Com entidades “à bruta”. Muitas como eles gostam. Cada uma com a sua postura. A sua cor. A sua mentalidade, fardas e afins. Filosofias como é agora, chique, dizer. Todas a julgar que controlam, que comandam, que gerem e que dispõem. Enfim.

Vivia numa nação (valente), onde o que era já não é mais. Onde as televisões estão, quase, dentro das ambulâncias. Fazem diretos, repetem vezes contam. “Esfolam” ao máximo cada imagem. O helicóptero “estacionado” bem no centro estrada, o “Zé” que abre a porta da ambulância vezes infindáveis. Sim, afinal, sonhei que o país era mesmo “à grande”. As ambulâncias eram uma espécie de passerelle, entra-se de lado, sai-se atrás.

Entretanto no meio de tantos, de muitos, vastos, há sempre quem queira falar. Atropelam-se para “dar um ar da sua graça”. As TV agradecem e dá audiências. Diz-se pouco, porque também não se sabe. Pelo meio das entrevistas, vem mais, dos especiais. Tocam a sirene que faz parte nestas coisas. Que país estrondoso. Gente de toda “espécie”. Dotados das mais variadíssimas valências. De vários sítios e classes profissionais.

Eramos grandes. Tão grandes.

Toca o despertador e sinto o meu ego em grande escala.

Meio adormecido, fiz por acordar minimamente. Percebi então, que do sonho que eu tinha tido, resultaram apenas feridos ligeiros. O helicóptero foi-se embora sem ser utilizado, as televisões filmaram. E os senhores do capacete branco também foram. Acabou tudo em bem. Projetou-se a imagem e os contribuintes pagaram. Pagaram e de que maneira.

Qualquer parecença com a realidade, é pura ficção da sua imaginação. Nada mais.

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