Opinião: Mudo de Chefe Como Quem Muda de Camisa (ANPC)

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Sim, lá venho eu com os meus exageros.. ninguém muda de chefe como quem muda de camisa mas também sejamos francos: ninguém muda chefes em médias de 4 meses.

Isto ultimamente a ANPC é uma máquina de traçar comandantes e presidentes, já devorou um secretário de estado e uma ministra, fico sinceramente preocupado e receoso do que possa vir a comer a seguir.

Primeiro o Leitão decidiu mandar embora um dos que por mais tempo por lá esteve, saindo empurrado sem razão aparente, houve quem escreve-se que havia “novas filosofias”, este suposto novo rumo resulta (para os que têm memória curta) que estas novas filosofias valessem a saída de Rui Esteves de Castelo Branco (que estava lá tão sossegado numa quinta tão tranquila) para vir dar “com as costas” na comunicação social numa espécie de “vamos tombar o homem a todo o custo”.

Esta espécie de cambalacho informativo expôs as dúvidas quanto ao processo de licenciatura (concluída com 32 equivalências num total de 36 unidades curriculares) e a acumulação de funções como diretor de um aeródromo onde o maior avião que aterra é mais pequeno que a asa de um avião comercial de passageiros (eu e os meus exageros). Pumba.. demitido ainda antes de acabar a tragédia e os relatórios que envolviam o comandante nacional no trágicos incêndios de Junho. Mesmo assim, um ex-comandante dos GIPS assume interinamente o Comando Operacional Nacional, o Tenente Coronel Albino Tavares, dá-se a tragédia de outubro e por estar interino passa entre os pingos da chuva e sai de fininho até se nomear um novo candidato a cair.

De balanço vai também o presidente da ANPC, Coronel de Infantaria Joaquim Pereira Leitão, o secretário de estado da proteção civil Jorge Gomes e a Ministra Constança Urbano de Sousa de mão dada, uns de volta para os bancos da Assembleia da República e outros para rumo desconhecido, logo após os trágicos incêndios do 15 de outubro, dizem os entendidos que alegadamente tropeçaram em “novas filosofias”.

Ora novo ministro da Administração Interna, novo secretário de estado, novo presidente da ANPC (militar outra vez) e ao contrário do que julgávamos os mesmos problemas.

O coronel da GNR, António Paixão, que muitos apelidam o pai dos GIPS da GNR vem acabar a equipa de Chefes como novo Comandante Nacional e dá-se muito pouco a conhecer e a ver, faz parte de uma profunda restruturação no ataque inicial, no ampliado, mete toda a força da GNR nas brigadas helitransportadas e quando menos se espera numa briga com o presidente da Liga o Comandante Nacional bate com a porta e abandona a missão alegando “motivos pessoais”, aqueles “pseudo motivos” que dá para todas as circunstâncias e cargos. Mesmo assim não se livrou de se levantarem dúvidas também quanto ao processo da sua licenciatura.

Ora depois de termos virado todas as atenções e investimentos para os GIPS da GNR, bem ao estilo António Costa versus António Paixão agora chegou a vez de um militar dos Comandos, Coronel do Exército Duarte da Costa, ser o novo comandante da Proteção Civil.

Dando uma breve vista de olhos no seu profundo currículo militar é perfeitamente visível que poderá ser para ele difícil distinguir um incêndio de um fogo, uma queima de sobrantes de uma queimada mas.. proteção civil não é só incêndios e entende o governo que devem ser militares a desempenhar funções na ANPC, talvez porque estejamos em guerra ou próximo disso e eu, cego, não consigo vislumbrar que a ausência de experiência e formação nas matérias de proteção civil não seja um problema.

Confesso que não deve ser fácil chegar todos os dias ao trabalho sem saber se o “Chefe” ainda é o mesmo de ontem ou se já mudou de email, de patente e/ou de farda/instituição.

Terminando citando o majestoso Raúl Solnado só para baralhar:

“Mas eles na guerra dão cavalos” e diz a mãe, “Pois, o meu filho vai agora para a guerra montar num cavalo que os outros já montaram, sei lá quem é que já montou naqueles cavalos!”. – Guerra de 1908

Aguardando os novos episódios, os guerreiros das frentes de incêndios estão na bancada a assistir, receosos que esta desorganização política e de coordenação afete os mesmos de sempre e, na hora da verdade, estejamos novamente a procura dos suspeitos do costume para justificar os erros dos outros.

Ricardo Correia – Presidente da ABPS – ricardo@bps.com.pt

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