Opinião: Bombeiros VS Jornalistas

Créditos: Jornal Almeirinense
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Ontem, cerca das 17h30, em Mafra, existiu um incêndio numa viatura. Chega a comunicação social, mais concretamente o Jornal de Mafra e em ato continuo produz algumas fotos e recolhe informações.

De seguida, uma bombeira, alegadamente do CB daquela cidade entende por bem, que a presença dos jornalistas não pode ir ao ponto de tirar fotografias.

O resto… o resto pode e deve ler aqui.

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Relativamente ao descrito, podia começar este artigo de opinião das mais variadíssimas formas, porem, a minha “casa de partida” assenta em três pontos apenas (mas poderia ser em muitos mais):

  1. Constituição da Republica Portuguesa (CRP);
  2. Lei 1/99 de 01 janeiro – Estatuto do jornalista;
  3. Lei 2/99 de 13 janeiro – Lei de Imprensa.

Posto isto e após um leitura que a todos aconselho (atenta) importa definitivamente esclarecer a comunidade dos bombeiros:

  • Os jornalistas, desde que devidamente credenciados para tal, podem e devem desenvolver as demarches necessárias de forma a informar o cidadão/público, onde se incluem fotos aos bombeiros e ao seu trabalho.

Este tipo de comportamento descrito pelo Jornal de Mafra não abona em favor dos bombeiros, parece-me ilegal (não sou jurista) e cria no seio dos jornalistas uma “má vontade” contra os bombeiros em geral que não é desejável, sejamos francos!

O que esta bombeira fez, e a ser verdade o relato, foi mais um péssimo exemplo de uma sã convivência (que a nós, muito nos interessa), criando um clima intempestivo, desagradável e tempestuoso entre bombeiros e jornalistas.

No limite, e como indicia o próprio artigo do jornal, podemos transmitir à comunicação social e à população em geral um sentimento de algo a esconder, onde o provérbio “quem não deve não teme”, não assenta em pilares bem estruturados.

Em Mafra existe com toda a certeza formação, conhecimento técnico e empírico. Basta usa-lo, com postura, inteligência e integridade.

O trabalho dos bombeiros em qualquer teatro de operações deve cingir-se à sua função/missão, deixando para outros, a aferição e cumprimento dos normativos legais.

É tempo dos bombeiros na sua transversalidade nacional (e não só em Mafra…) percepcionarem que o paradigma da relação com os midia, sofreu sérias e profundas mutações.

No actual contexto comunicacional, é importante que bombeiros e instituições (leia-se detentoras dos corpos de bombeiros) vivam e convivam com as comunicação social, usando-a para se projectarem.

Precisamos de aprender a “explorar” os jornalistas até ao tutano. Não temos que ter receio de o dizer, muito menos de o fazer.

Hernâni Carvalho, conhecido jornalista, disse um dia num congresso acerca desta temática e dirigido a bombeiros: “Falem, o que interessa é os bombeiros aparecerem”. Esta é a máxima pela qual devemos pautar a nossa conduta com a comunicação social.

Coloquemos a tónica na forma de comunicar da Guarda Nacional Republicana (GNR) ou da Policia de Segurança Publica (PSP). Vejamos a página oficial destas entidades nas várias redes sociais. Olhemos para a sua presença constante nas televisões. Aproveitemos como eles. Projectemos a nossa actividade com a mesma intensidade, com a mesma inteligência, como a mesma subtileza, mas acima de tudo com o mesmo carácter.

Somos melhores, muito melhores, do que aquilo que temos vindo a demonstrar e acima de tudo, a fazer!

Luís Gaspar
Vice Presidente da ABPS

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