Afinal, e Para Nós, Quando é Que Acaba o Campeonato?

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Já acabou o campeonato nacional de futebol, já foi disputada a Taça de Portugal, já decorreu a final da Liga Europa e da Liga dos Campeões, e para os bombeiros… nada?

A época já começou e acabou, tanta coisa foi anunciada para o sector, tantas notícias, tantos debates, tantos discursos e não há meio do nosso campeonato chegar ao fim? Querem ver que só depois do Mundial, que ainda agora vai começar, é que vão discutir e resolver as nossas questões? Se assim fosse, menos mal. Mas depois, e como sempre, e é um dejá vu. Em Agosto não se vai discutir estas problemáticas, até porque temos aí os incêndios. E mais uma vez, o campeonato continua por terminar e ficamos a sem saber quem é o campeão.

Entretanto, enquanto decorre o nosso campeonato, vão surgindo os casos da jornada. Nos Sapadores de Setúbal, concursos impugnados para mobilidades dos bombeiros porque desde o início a Câmara Municipal de Setúbal não aceitou qualquer proposta do Sindicato, definiu ela as suas regras, criando uma confusão enorme nos bombeiros e na organização da Companhia. Um dejà vu;

Em Coruche, a Escola Nacional de Bombeiros dá a formação para aquisição de competências para futuras promoções e, mais uma vez, o jogo teve que ter prolongamento, com a publicação de umas notas finais que depois tiveram quer ser alteradas e corrigidas. Vamos ter que recorre às imagens do VAR (vídeo árbitro) para perceber o que efectivamente se passou com as notas.

Paralelamente ao campeonato Nacional, também temos casos na Liga de Honra e que se estão a tornar numa anedota, senão vejamos: os bombeiros portugueses têm dificuldades e exigem há muito, acesso à formação. Mas tendo em conta o número de bombeiros que existem, a ENB, naturalmente, não consegue chegar a todos, o que é compreensível.

Espante-se, no entanto, que agora já participa na Liga de Honra, ou seja, ministra recrutas a corpos de bombeiros sapadores e municipais. Recrutas essas que em vez de serem ministradas num centro de formação, numa escola acompanhadas pelos formadores dessa mesma escola do início ao fim, como deve, correctamente, ser feita uma recruta, não. São feitas recrutas nacionais!

“E o que é uma recruta nacional”?, perguntam os bombeiros. Uma recruta nacional é aquela que, a título de exemplo, de Braga, que tem formação em Braga, Porto, Coimbra, Lousã, Sintra, etc., ou seja, em vez de fazermos uma recruta fazermos módulos de formação dispersas pelo país para acabarmos com as assimetrias e a desertificação de Portugal. Como comentamos nos bombeiros, na caserna, são as recrutas inter-rail!

Este modelo é errado e não reflecte o espírito que se quer para a formação de uma recruta.

Logicamente, sendo recrutas (aqui designados, alegoricamente, de Liga de Honra), e olhando para os problemas do sector, podemos considerar que os bombeiros não necessitam de formação nos vários pólos de norte a sul do país. Tendo em conta que estes são futuros profissionais e têm um horário laboral bem definido, fica demonstrado que se as entidades patronais quiserem pagar e se os dispensar do serviço, toda a formação (onde se incluem os bilhetes do inter-rail), está garantida aos bombeiros. Então, por que não pomos todos os bombeiros portugueses a terem formação que necessitam? Só queremos que o façam na sua folga?

Para os profissionais das câmaras, a Escola Nacional de Bombeiros tem condições para ministrar a formação. Para os restantes, tem que se ajustar muito bem as agendas do campeonato… mas como os jogos são sempre ao fim de semana, entende-se.

Espero que com este pequeno artigo futebolístico, e que agora vai ser comentado nos vários canais televisivos dos bombeiros nacionais, com as suas equipas de comentadores, sentadinhos nos bancos dos marretas, se consiga encontrar o campeão ou os possíveis campeões.

Até lá, continuam todos os bombeiros a disputar o campeonato, as direcções a fazerem as suas contratações de novos elementos e das novas estruturas de comando e a reclamar, junto do governo, que deve regulamentar o sector. Mas onde é que já ouvimos este discurso? A nós, bombeiros, seguindo a lógica futebolística, só nos falta mesmo ter um herói nacional que quando um dia falecer, tenha o seu lugar garantido no Panteão Nacional.

Isto não dá nenhuma vontade de rir…mas o nosso fado continua.

Sérgio Carvalho,
Presidente do Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais
Fonte: Jornal Alto Risco, edição Maio 2018

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