Opinião: Andamos a Engordar o Porco dos Outros

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Bombeiros = Tarefeiros

O Estado há muito que está a transformar as Associações de Bombeiros Voluntários em agências de trabalho temporário.

Sim, é isso, porque vai “protocolando” competências, mas não dá estabilidade.

O INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) tem autonomia financeira mas tem a sua estrutura alicerçada nos Corpos de Bombeiros, sendo estes responsáveis por mais de 90% das ocorrências e agora com as ditas “amarelas, ou mais modernamente vermelhas e amarelas” capitalizam isso, pois as pessoas estão sempre à espera que chegue o INEM. E quando chega é sempre o INEM, mesmo que as pessoas vejam que são os Bombeiros a tripular a ambulância.

Este serviço é feito assente em protocolos que face à conjuntura são miseráveis, nunca foram bons, onde as Associações se comprometem a cumprir metas que por vezes são difíceis de cumprir, pois os recursos financeiros e consequentemente os humanos faltam, sendo o ónus da questão sempre passada para nós – Bombeiros. Depois e porque uns vendem bem a imagem, outros não, quando há falhas são os Bombeiros, quando corre bem o INEM, fez um excelente trabalho, mesmo que por vezes as chamadas demorarem o que demoram. Ah pois antes são rastreadas pelo 112 (Balelas).

ANPC (Autoridade Nacional de Protecção Civil, parece que vai haver uma cerimónia e vai ser rebaptizada com o nome de Autoridade Nacional Emergência e Protecção Civil), com autonomia financeira e agora com meios próprios também está alicerçada nos Corpos de Bombeiros que respondem por 98% das ocorrências com protocolos possíveis, mesmo assim estamos assistir ao aparecimento de outras forças em detrimento de uma maior profissionalização destes, leia-se Bombeiros. Mas também e a bem da verdade, forças que na devida altura os Bombeiros, quiçá com um discurso já gasto, não quiseram criar, só porque não, ou porque, com o tal discurso, somos voluntários, agora depois de mais uma porrada andamos em alvoroço.

Ministério da Saúde através das ARS e Hospitais entrega-nos o transporte de doentes e parece que aqui os Bombeiros já abriram a pestana e evoluíram em qualidade e quantidade tendo a sua frota própria e os seus recursos humanos sem subsídios do Estado central, profissionalizaram-se, coisa que não quiseram fazer antes noutras áreas e assim vão repondo a marca própria.

Não percebo, sinceramente, certas opiniões contra esta “franja” do transporte de doentes, não entendo. Ai o preço Km é barato, ai não sei mais o quê. O que eu não entendo é porque também não reivindicamos outras coisas que os particulares, neste sector, têm, prestando nós um serviço de maior qualidade. Então digam-me lá se estamos cá para transportar os nossos doentes quando os particulares não querem, porque razão não o podemos fazer sempre? Crie-se é uma estrutura independente dentro de cada CB vocacionada para isso, porque condições e qualidade nós temos. Digo eu, mas sou só eu a divagar.

Agora andamos com alaridos, porque estamos a ver certas coisas a fugir-nos por entre os dedos. Pois andamos, mas porque não se pegou nas coisas quando devíamos? Outros tempos, pois sim, mas posso falar num tempo mais recente, não preciso ir à tentativa já muito antiga de criar GPIS nos Bombeiros, sim já agora quantos foram criados, ou quantas Associações o tentaram? E mais recentemente as EIP? Quantos se cortaram, alguns com desculpas esfarrapadas? Eu sei que o protocolo das EIP é um protocolo tripartido e bipartido na questão financeira. Mas era por aí que se devia ter ido. Uma efectiva Lei de Financiamento, uma maior profissionalização do socorro nos Bombeiros, o qual chamaria mais voluntários e hoje não estaríamos neste ponto.

Andamos a engordar o porco dos outros.

Chegou a hora de fazermos o Estado dizer o que quer de nós para nos “estabelecermos por conta própria” com as nossas ferramentas com o nosso pessoal e com os nossos comandante e dirigentes.

Como se isto não bastasse, nós formamos e depois sofremos uma sangria desatada com a fuga dos nossos melhores para outras forças. Exemplo INEM e FEB. Não vale a pena virem para cá dizer que não é assim, foi assim que começou e continua, ponto. E isto porquê? Porque não temos recursos financeiros para os segurar. E que fazemos? Voltamos abrir escolas de estagiários, formamos e depois vêm as estruturas com capital e levam-nos. Parecemos as academias de clubes, só que nós formamos e não ganhamos nada com a venda do “passe”.

E o que é que para aí se anuncia com esta reestruturação da “Protecção Civil”? Parece-me, só, parece-me que são mais lugares para distribuir, depois dizem, mas estes são por concurso. Pois, entrevista, muito bem, ai e tal… (quanto a isto vamos aguardar)

Tomem nota, porque eu sempre disse que temos que fazer autocrítica, se não for para mudarmos podemos fazer o barulho que quisermos ninguém nos vai ouvir.

CHEGA DE TRABALHAR PARA OS OUTROS.

E eu que já não tenho nada a ver com isto!

Martins Andrade

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