Sapadores Destruíram 360 Ninhos Este Ano mas Pedem Abordagem Nacional

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São cada vez mais, estão cada vez mais perto dos centros urbanos, podem vir a ser um grande problema para a produção de mel e parecem ainda não estar a ser encarados como um problema nacional, para o qual “tem de haver uma resposta mais organizada”.

Quem o diz é Paulo Palrilha, comandante da Companhia de Bombeiros Sapadores de Coimbra (CBS) que, perante a proliferação “assustadora” por todo o concelho de ninhos de vespa asiática e a consequente “chuva” de queixas de cidadãos, teve de assumir (quase pessoalmente) o problema, procurando as melhores soluções para o tentar resolver.

Os números falam por si. Do ano de 2016 constam sete ocorrências para destruição de ninhos de vespa asiática. Em 2017 já foram 150. Este ano, até ao início de Dezembro, havia 360 ninhos destruídos e 56 em lista de espera para destruição. “Chegamos a ter 15 a 20 novos pedidos por semana”, garante Paulo Palrilha, mostrando-se preocupado com as consequências futuras de um problema que, segundo o comandante, “deveria ter uma abordagem nacional”.

Isto não é algo que tenha de ser resolvido a nível concelhio, precisa de uma resposta a nível nacional”, garante Paulo Palrilha, temendo que “de nada valha” o esforço dos Sapadores de Coimbra em procurarem informação – “que não existia” – ou encontrarem as melhores soluções para combaterem esta “praga” se “nos concelhos vizinhos nada estiver a ser feito no mesmo sentido”.

“As vespas não têm fronteiras. Para o ano teremos cá mais vespas”, garante, apontando para os números: “este ano, tivemos bem mais do dobro dos ninhos do ano passado”, sublinha, confessando a surpresa, e alguma estupefacção, perante uma proliferação com a qual não se contava na CBS.

De tal maneira que procuraram uma abordagem mais eficaz para destruir os ninhos. “Inicialmente usávamos a queima mas, além de só poder ser feita à noite (quando as vespas regressavam ao ninho), não é muito recomendada na época dos incêndios florestais”, conta Paulo Palrilha que, em Agosto, perante o aumento exponencial do número de pedidos (e até algumas queixas) decidiu mudar de estratégia e a beneficiar de uma parceria com Carlos Filipe, presidente da Associação de Modelismo, usando “um mecanismo com uma espécie de cana de pesca que permite, a longa distância, injectar um líquido que atrai as vespas e destrói os ninhos”.

“Nem insecticida específico havia. Tivemos de fazer vários testes”, conta. Neste momento os Sapadores injectam groselha e frutos vermelhos misturados com o insecticida nos ninhos e os resultados estão à vista: passaram de 33 ninhos em Julho, para 80 em Agosto, número que se manteve até Outubro. Em Novembro foram contabilizados 59 ninhos destruídos e a intenção de Paulo Palrilha é “chegar ao final do ano com todos destruídos, sem listas de espera”. É expectável que acalme nos primeiros meses de 2019… depois “é uma interrogação”.

Apesar de serem “inofensivas”, as vespas asiáticas têm provocado grande terror no centro da cidade, ocupando telhados de casa, garagens, placas de sinalização ou instalações eléctricas para os seus ninhos que podem atingir dimensões impensáveis. “Destruímos um com metro e meio de diâmetro”, conta Paulo Palrilha, confirmando que a proliferação foi de tal ordem que “não há propriamente uma zona do concelho com maior incidência do que outra”. Uma coisa é certa. “Tem aumentado imenso os ninhos em todo o tipo de estruturas, nomeadamente dentro da cidade”, confirma, complementando com os números: dos ninhos destruídos este ano, 101 estavam em estruturas, perto das populações e 103 em árvores. “Não conseguimos ainda perceber o que faz esta espécie de vespas aproximarem-se do miolo urbano, mas é certo que isso está a acontecer”, resume o comandante dos Sapadores, encontrando aqui, também, uma das razões para a necessidade de encontrar “uma estratégia mais concentrada para travar este fenómeno”.

Desde Janeiro que há um Plano de Acção para a Vigilância e Controlo da Vespa Asiática em Portugal. O documento deixa bem claro os efeitos negativos da presença da espécie. Desde logo para a apicultura. As vespas asiáticas alimentam-se da abelha “normal” e destroem as colmeias, o que leva a “uma menor produção de mel e produtos relacionados e uma diminuição da polinização vegetal”. Há também efeitos na agricultura, particularmente na fruticultura; no bem estar e segurança dos cidadãos (“reagem de forma bastante agressiva às ameaças ao seu ninho”) e ainda no ambiente: “é uma espécie não indígena, predadora natural das abelhas e outros insectos, o que pode eventualmente originar a médio prazo impactos significativos na biodiversidade”. O plano “entrega” a tarefa de destruição a “entidades ou agentes habilitados para o efeito, como empresas especializadas em desinfestações, técnicos apícolas ou sapadores florestais”. Em Coimbra, são os Bombeiros Sapadores que a cumprem. “Apesar do empenho nesta tarefa, a nossa missão não é destruir ninhos”, remata Paulo Palrilha.

Fonte: Ana Margalho|diariodecoimbra

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