Opinião: Mais um Natal….sem prendas para os Bombeiros Profissionais!

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Foi com algum pesar que ao verificar a sua árvore de Natal, os bombeiros profissionais confirmaram que faltava a prenda maior, aquela porque aguardavam desde o início do ano…ou desde há alguns anos. Mas essa prenda não apareceu. O novo Estatuto dos Bombeiros Profissionais continua à espera da luz do dia, porque o tempo das luzes de Natal já passou. Depois de rejeitado o documento apresentado pelo Governo, depois dos bombeiros profissionais terem imposto algumas das suas reivindicações e depois das reuniões com o Secretário de Estado da Proteção Civil onde os pontos de contestação são os vencimentos, a carreira e a aposentação, acabámos o ano com uma mão cheia de nada, a não ser de vontades frustradas.

Apagadas as luzes da ribalta, em que mediáticos e políticos, quiçá, em pré-campanha eleitoral, se juntaram ao “povo” e aos bombeiros para apoiar as populações nos acidentes que têm assolado o país, eis que voltámos à escuridão…uma espécie de idade das trevas que temos vindo a atravessar e que nem as lutas, nem as manifestações nem as greves legítimas parecem ter conseguido iluminar as mentes de quem decide!

Recusamos ver reduzidos os ordenados, recusamos que sejam deturpadas as nossas carreiras, batemos o pé à degradação das nossas condições de trabalho e de vida.

Foi sempre assim e sempre será assim a postura de ANBP/SNBP quer ao nível das negociações com o Governo central, quer com as autarquias locais. Nunca entramos derrotados e nunca nos damos por vencidos, pelo que a luta pelo Estatuto Profissional do Bombeiro é apenas mais uma batalha desta nossa “guerra” que dura há mais de 20 anos.

A história das nossas “batalhas” tem revelado que as nossas posições têm sido acertadas e as nossas lutas justificadas. As nossas reivindicações feitas junto das autarquias locais para a necessidade de novas recrutas nos corpos de bombeiros municipais e sapadores do país tem dado os seus frutos. Nos últimos dois anos, onde não entravam novos bombeiros há mais de 10 anos, a situação alterou-se. Os sapadores de Vila Nova de Gaia ou os Municipais de Viseu são disso exemplo, para não falar de Lisboa, onde a nossa intervenção, enquanto estruturas associativa e sindical foi importante para a evolução que registamos hoje em dia no Regimento Sapadores de Lisboa.

Nos últimos dias, assistimos também a um enorme salto qualitativo nos Bombeiros Municipais de Loulé, que vão incluir mais 27 elementos, com a abertura de uma nova recruta. Isto depois de ter já avançado com a construção de um novo quartel, que vai melhorar as condições de socorro às populações.

Ao nível local, o reconhecimento da importância dos bombeiros têm vindo a ganhar expressão. A segurança das suas populações, à guarda dos bombeiros, passou a ser um ponto assente dos autarcas.

O que é que falta para o Governo fazer o mesmo?

 As tragédias de 2017 deveriam ter sido um alerta para que algo precisa de ser feito. A reestruturação da proteção civil deve começar por aqueles que asseguram a defesa de pessoas e bens. Se isto não for respeitado, estão a apenas a mudar…para que tudo fique na mesma!

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