Refeições no DECIR: LBP admite suspender qualquer tipo de colaboração

Fotografia: Sérgio Santos
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A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) admite suspender todo e qualquer tipo de colaboração com a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) no que refere ao fornecimento de refeições aos elementos que nos Teatros de Operações combatem os fogos florestais.


A LBP lamenta que só tenha tido conhecimento da investigação da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) a propósito do fornecimento de refeições através da comunicação social e que nem tenha tido a oportunidade de analisar as conclusões, inclusive, com o exercício do contraditório.


A LBP defende que é da responsabilidade da ANPC o fornecimento das refeições, cabendo-lhe explicar as eventuais discrepâncias no seu fornecimento, não só aos bombeiros, mas também aos elementos da GNR, do INEM, da Força Especial de Bombeiros, Sapadores Florestais e elementos das Forças Armadas, entre outros. Cabe aliás à ANPC, em qualquer circunstância, fazer a conferência das refeições facultadas num teatro de operações atendendo a que o seu controlo é desenvolvido através dos CDOS.

A LBP recusa o anátema da suspeição que, de novo, querem fazer cair sobre os bombeiros relativamente a essa matéria. Cabe aos bombeiros combater incêndios e não fornecer refeições. E só têm participado nessa logística num espírito colaborativo com todas as entidades presentes nos teatros de operações por manifesta e assumida incapacidade demonstrada pela ANPC em satisfazer essa obrigação.


Por diversas vezes, e face a suspeitas apontadas no passado, a LBP tem manifestado a vontade de suspender qualquer tipo de colaboração no domínio da logística das refeições e até dos combustíveis.
Em 5 de Janeiro de 2018, na sequência da decisão tomada nos Conselhos Nacionais realizados em Santarém e em Palmela, a LBP informou de que “deverá a ANPC assumir na íntegra a gestão do apoio alimentar em todos os teatros de operações”.


No mesmo documento então enviado a LBP sublinhou que “atendendo a que se levantaram suspeitas no fornecimento de refeições solicitadas pelos CODIS às associações humanitárias de bombeiros voluntários, e porque esta situação configura o lançamento de um anátema de suspeição sobre as associações, entende a LBP exigir da ANPC e do Governo o necessário e cabal esclarecimento sobre a matéria, no sentido de preservar o bom nome e a idoneidade dos corpos de bombeiros e comandos deste importante e fundamental movimento de socorro e solidariedade social”.


Perante a incapacidade declarada e demonstrada pela ANPC em garantir essa função os bombeiros admitiram então continuar a colaborar mas em situações pré definidas e em circunstâncias muito especiais.

Por isso, a forma simplista e precipitada como agora, mais uma vez, os bombeiros são visados, segundo a LBP, não pode deixar de suscitar o mais firme repúdio e protesto ao por em causa a honorabilidade e a dignidade das associações humanitárias, dos seus dirigentes, comandos e bombeiros.

Em todos os teatros de operações (TO) os bombeiros assumem uma função estritamente operacional limitando-se a corresponder às solicitações que são dirigidas. Cabe aos representantes da ANPC responder por todas as restantes componentes, nomeadamente, sobre a logística. Aliás, em cada posto de comando (PC) do TO existe um oficial de logística a quem cabe gerir também o fornecimento das refeições.

Estamos nós LBP conscientes que ninguém está acima da Lei e nunca pusemos em causa as inspecções, mas reclamamos que seja devidamente investigado e provado que os Bombeiros Portugueses cometeram alguma irregularidade, mesmo formal que seja.


Assim, e até que os factos sejam comprovados nos locais próprios, contestamos veementemente esta insultuosa insinuação.

Lisboa, 1 de Fevereiro de 2019

O Presidente
Jaime Marta Soares
Comandante

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