Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários Flavienses Comemora 130 Anos ao Serviço de Chaves e Portugal

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A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários Flavienses (AHBVF), fundada a 3 de fevereiro de 1889, celebrou, no passado domingo, 130 anos de história ao serviço de Chaves e Portugal. O secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, e o presidente da Câmara Municipal de Chaves, Nuno Vaz, presidiram às comemorações, durante as quais houve lugar ao apadrinhamento de quatro viaturas e ao lançamento de exposição fotográfica sobre a segunda associação de bombeiros voluntários mais antiga do distrito de Vila Real.

As cerimónias tiveram epicentro na morada que alojou a AHBVF durante várias décadas, o Largo General Silveira, no coração da cidade de Chaves. Diante das forças em parada, compostas por cerca de uma centena de bombeiros e a fanfarra dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses, esteve disposta uma audiência composta pelos órgãos sociais da associação aniversariante, membros da direção e do comando das restantes corporações distritais, e convidados de entidades locais e nacionais.

Todos os presentes tiveram oportunidade de testemunhar a inauguração de uma exposição fotográfica que homenageia os bombeiros que ao longo de 130 anos prestigiaram a AHBVF, com contextualização histórica promovida pelo historiador Nuno Pizarro Dias. A exposição tem portas abertas ao público até ao dia 11 de fevereiro, na Biblioteca Municipal de Chaves, antigo quartel da AHBVF.

Presidente Nuno Coelho Chaves destaca “grandeza da ação” da AHBVF

Nas habituais intervenções, o presidente da AHBVF, Nuno Coelho Chaves, começou por evocar alguns dados referentes “à grandeza da ação desta Associação, cuja área de atuação do Corpo de Bombeiros Voluntários Flavienses compreende 21 freguesias do concelho de Chaves, cobrindo 53% da área geográfica municipal e sendo a força de socorro de 51% da população flaviense”.

A propósito dos temas que marcam a atualidade no universo dos bombeiros, Nuno Coelho Chaves considerou que “mais importante que as Direções Nacionais Autónomas ou Comandos Únicos, é a valorização do papel dos Bombeiros”.

O presidente da AHBVF é da opinião que “estamos no caminho certo quando repomos os benefícios sociais, mas o futuro tem que ser feito de um maior aprofundamento nessa área. As associações humanitárias têm de ter linhas e mecanismos abertos para renovar os seus meios, meios modernos e atualizados para combater as adversidades, e quartéis com boas condições de conforto para o desempenho das suas difíceis funções”.

Nuno Coelho Chaves lembrou ainda que “para bem servir, estamos a renovar e modernizar a nossa frota”, o que se reflete “num investimento de cerca de 300 mil euros em três anos”. Desde que assumiu a direção que lidera iniciou o mandato, “já foram adquiridas duas ambulâncias de socorro (ABSC), três ambulâncias de transporte múltiplo (ABTM) e um veículo tanque tático florestal (VTTF), em segunda mão, que mesmo sendo de 2012 é o veículo mais recente da nossa frota de combate a incêndios florestais”, reforçou.

Nuno Coelho Chaves terminou o discurso a expressar que “queremos dedicar este aniversário aos bombeiros que foram quando o telefone tocou e não voltaram”, lembrando que “é sempre bom lembrar quem deu tudo e sacrificou tudo por nós”, finalizou.

Comandante José Lima rejeita criação de Direção Nacional Autónoma

Noutro discurso, o comandante da AHBVF, José Lima homenageou o comandante que tomou posse na fundação da associação, Aníbal de Sousa Barros, e mostrou-se “orgulhoso dos seus homens e mulheres, bombeiros conhecidos pelo excelente trabalho e pelas capacidades que demonstram nos teatros de operações”.

José Lima também se referiu às atuais discussões em torno de uma possível alteração à lei orgânica da ANPC (Autoridade Nacional da Proteção Civil), criticando a Liga dos Bombeiros Portugueses e as federações distritais de bombeiros, por “estarem preocupadas com a criação da Direção Nacional Autónoma e o Comando Único”, entidades que considera “impossíveis de implementar, atendendo ao caráter privado das associações”.

O comandante da AHBVF demonstrou ainda “estranheza por a Liga dos Bombeiros não se preocupar com o facto de projeto de alteração legislativa não contemplar sérios benefícios para os bombeiros, nem contemplar transferências de verbas do Estado para as associações para a aquisição de meios”, uma vez que, dirigindo-se ao Secretário de Estado da Proteção Civil, questionou: “Sabe quantas viaturas de combate a incêndios o Estado atribuiu a esta associação? Nenhuma”.

Para terminar, garantiu à população flaviense que podem continuar a contar com a corporação que comanda para a segurança de pessoas e bens, uma vez que, dirigindo-se novamente a José Artur Neves, realçou que “podem criar agências ou forças mais ou menos especiais ou especializadas, mas no fim quem vai resolver os problemas às populações são os mesmos de sempre, os bombeiros”, concluiu.

Celebrações incluíram apresentação e apadrinhamento de quatro viaturas

Após o secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, ter passado revista à formatura, as celebrações do 130.º aniversário prosseguiram com o apadrinhamento de quatro viaturas, adquiridas pela associação, com o apoio de coletividades e mecenas a título individual: um veículo tanque tático florestal (VTTF), duas ambulâncias de transporte múltiplo (ABTM) e uma viatura tática de salvamento e resgate (VTSR).

A viatura de combate a fogos florestais foi adquirida com base em fundos reunidos em duas ações de beneficência organizadas pela comunidade portuguesa no Estado de Nova Iorque, no ano passado, em Mineola e Mount Vernon. José Joaquim Pereira, um empresário transmontano radicado nos Estados Unidos, encarregou-se de representar a entidade que organizou os eventos de angariação de fundos, a NYPALC – New York Portuguese American Leadership Conference.

Maria de Carvalho Santos e Lorena Carvalho Santos “amadrinharam” as duas novas ambulâncias de transporte múltiplo, cuja aquisição contou com o importante contributo de Francisco da Costa Carvalho. Este empresário local, que é avô das novas madrinhas, foi ainda anunciado publicamente como sócio-benemérito da AHBVF, com as netas encarregues de receber o respetivo Diploma de Honra.

A jovem Gisela Sofia Lopes é a madrinha da Viatura Tática de Salvamento e Resgate, uma moto de água, oferecida pelos seus progenitores, que permite acrescentar competências operacionais ao Corpo de Bombeiros Voluntários Flavienses.

O apoio prestado por estes benfeitores à AHBVF foi amplamente aplaudido por todos aqueles que testemunharam as celebrações de uma data histórica para uma das associações humanitárias de bombeiros voluntários mais antigas em todo o território nacional.

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