“Os Riscos Não Justificam Tantos Corpos de Bombeiros”

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Manuel Velloso, 75 anos, tem um currículo extenso de cargos, missões e operações. Foi inspector de Bombeiros, comandou a protecção Civil em diversos distritos e integrou 22 missões internacionais. Defende a simplificação da quadrícula mais pequena da grelha de resposta a emergências em Portugal.

“Fui comandante distrital de Castelo Branco e Leiria. No distrito de Castelo Branco, cada concelho tinha um corpo de bombeiros. Fui comandante do corpo de bombeiros de Algueirão Mem-Martins, no concelho de Sintra, onde há 11 corpos de bombeiros. Entenda que isto tudo se torna muitíssimo complicado. Todo o tipo de resposta que se vai dar nesta grelha de protecção e socorro é extremamente frágil”, denuncia Velloso para quem a solução pode estar na implementação de um sistema de “secções destacadas” criadas a partir de um corpo de bombeiros.

“O sistema das secções destacadas é muitíssimo complexo. Quando chega a altura de distribuição de verbas, o corpo de bombeiros que tenha por exemplo três secções destacadas recebe o mesmo que o corpo que só tem uma secção destacada. Para que um meio de Idanha-a-Nova chegasse às Termas de Monfortinho demorava entre 45 minutos e uma hora e a “voar baixo”. Quando tinha lá um incêndio telefonava aos espanhóis que iam lá dar uma ajudinha. Imagine que é um enfarte e é preciso evacuar para um hospital de referência. Como é que se fazia? A secção destacada resolvia isto. Mas é preciso que o corpo de bombeiros tenha vontade”, sustenta Manuel Velloso, também ex-comandante da Unidade de Socorro de Lisboa da Cruz Vermelha.

Os riscos não justificam tantos corpos de bombeiros, complementa António Duarte Amaro no “Da Capa à Contracapa”, parceria da Renascença com a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

“Alijó tem 13500 habitantes e tinha 6 corpos de bombeiros. A freguesia de Sanfins do Douro com 900 habitantes tinha dois corpos de bombeiros, um deles em Cheires. Porquê? Porque existiam os Tirsenses e os Bombeiros de Santo Tirso? Porque existiam os Espinhenses e os Bombeiros de Espinho? Porque existiam os Bombeiros de Aveiro Novos e os Aveiro Velhos? Isto aconteceu por rivalidade e não por necessidades relacionadas com riscos”, remata António Duarte Amaro.

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In RR

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