Opinião: “Juntar os Machados e Marchar… Marchar!”

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A consagração de um número crescente de atores em cada sistema, suscita irremediavelmente, a definição de estruturas de coordenação, comando e de resposta operacional eficientes – as quais – constituem desde logo, um elemento importante para a atuação em situações de tranquilidade institucional, adquirem uma importância acrescida e decisiva em situações que escapam à normalidade, como são, inequivocamente, os acidentes graves, as catástrofes e as calamidades.

Do supra exposto, pode surgir como dedução possível, que o modelo estrutural consagrado na sequência do processo de reorganização do sistema de proteção e socorro, ao longo desta última década, resultou de um conceito alargado da componente safety, que contempla per se, os elementos e mecanismos suficientes, em ordem à produção de uma resposta oportuna, adequada, musculada, eficiente e eficaz, à generalidade das situações de acidentes graves, catástrofes ou calamidades.

Não obstante, e salvo melhor opinião, esta dedução, constitui apenas um passo, no sentido da consolidação de uma estrutura coerente, eficiente e estabilizada, mas ainda assim suficientemente flexível para permitir a sua rápida adaptação na presença de estímulos futuros.

Contudo, após o vivido no ano transato, importará ao longo destes tempos, com o recurso a uma exaustiva e honesta avaliação, em processo de envolver todos os possíveis intervenientes, aos diversos níveis, identificar, testar e implementar, os procedimentos necessários ao seu mais correto funcionamento, percorrendo todas as etapas de um processo, moroso mas indispensável de análise, implementação e consolidação.

É indiscutível que apenas com o contributo de todos os intervenientes se poderá alcançar a melhor resposta.

Todavia, os diversos contributos preconizados até agora, deveriam ter sido esvaziados dos efeitos duma procura de protagonismo – da defesa exacerbada por vezes emotiva e por vezes irracional – das perspetivas institucionais e, fundamentalmente, das distrações produzidas por debates estéreis sobre questões não essenciais, de ideias rasas – algumas delas bafientas – e a importação de procedimentos e modelos como justificação para a “possível mudança”, criação de estruturas e de lugares.

Ao invés, esses contributos, deveriam centrar-se no interesse nacional, no sentido lato da palavra, e no caso em apreço, na otimização de uma estrutura já existente que assegure a persecução dos objetivos essenciais da gestão e resolução dos acidentes graves, catástrofes e calamidades, do comando das operações, no apoio às populações e na defesa do ambiente, no restabelecimento na normalidade anterior ou na salvaguarda dos interesses entretanto postos em causa dado um determinado cenário e essa instituição são, os Bombeiros Portugueses.

Num tempo de viragem, de costumes, maneiras e pensamentos – alguns deles bem estranhos! – na memória e no repositório dos movimentos positivos que marcam este tempo, a experiência gratificante de entrega e empenho dos Bombeiros Portugueses, marca uma página de ouro ao longo de décadas.

O reconhecimento de uma história de mérito, que começou em 1395, pela mão de D. João I, Mestre de Avis, é um marco que não nos permite repousar sobre a obra feita, mas antes nos responsabiliza a todos para lhe dar sequência e continuar a responder com espírito solidário aos anseios e às solicitações das populações e das comunidades que os Bombeiros Portugueses servem.
Com orgulho pela sua identidade conquistada no serviço ao próximo, os Bombeiros Portugueses enfrentam hoje, a par de toda a sociedade e instituições, um enorme desafio de modernização e adaptação aos novos tempos.

Um desafio que para ser vencido com êxito exige a colaboração ativa de toda a sociedade no geral, e em particular dos poderes instituídos, ao nível local e central.

 

Não podendo ser negada a história de mais de 623 anos, se existem Instituições de cariz vincadamente social, os Bombeiros Portugueses são, com naturalidade e legitimamente, uma delas.
Pelo processo espontâneo da sua criação, pela empatia comunitária que suscitam, pelo universo de simpatizantes que movimentam, pela escola de cidadania que são, pelo profissionalismo e dedicação, os Bombeiros Portugueses, merecem todo o respeito da sociedade e instituições e traduzem no espaço nacional um modelo impar de coesão territorial.

Características que, se os distingue, também os obriga a uma constante atualização de conhecimentos, igualmente os vincula a uma permanente conformidade de procedimentos aos tempos modernos e mesmo os convida à adesão a outros modelos organizativos (operacionais e administrativos) para, qualificadamente, poderem responder – como querem! – a uma sociedade cada vez mais exigente, desenvolvida – intransigente até! – mas com imensas vulnerabilidades.

 

Nesta senda, não é possível ter uma estrutura forte na área da proteção e socorro, em qualquer um dos seus domínios, sem uma presença vincada e assumida dos Bombeiros Portugueses, aliás, como se confere em qualquer país desenvolvido, onde os Bombeiros são a pedra angular do sistema de proteção e socorro.

O futuro da proteção e socorro em Portugal só se faz com os Bombeiros Portugueses!

Saibam os Bombeiros aproveitar isso…saiba a tutela perceber e interpretar isso…

Como está…é que não pode ficar muito mais tempo!

Assim, com inquietude positiva, está na hora de juntar os machados e na procura de novas soluções…marchar…marchar!

Nélio Gomes
Comandante
Bombeiros Voluntários de Pataias

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