1,87€/hora: A Realidade Que Uns Escondem e Outros Fingem Não Ver

Publicidade

Vem a terreiro, o Correio da Manhã de hoje, afirmar que reclusos do “estabelecimento prisional de Setúbal vão executar, entre 1 de junho e 30 de setembro, tarefas de varredura, desmatação e limpeza urbana e de praias no concelho.”

Não me cria isto qualquer espécie de problema, bem pelo contrário, apoio na integra uma medida como esta.

Adianta ainda este diário que os reclusos receberão a quantia de 2,25€ por cada hora de trabalho. Também aqui, não vislumbro qualquer entrave, uma vez que se trabalham e cumprem com as suas obrigações laborais deverão ser ressarcidos como qualquer pessoa, independentemente da sua qualidade de presos.

Mas… como em tudo na vida, também acerca deste caso em concreto há um “mas”…

Ter pessoas dotadas de altos conhecimentos técnicos e empíricos disponíveis para responder ao minuto, 24h por dia a qualquer evento de incêndio florestal têm muito que se lhe diga. Essas pessoas tem um rosto, uma identidade, uma crença, uma forma de estar perante a sociedade e resumem tudo isso numa só palavra: BOMBEIRO. Dedicam-se a 100% á missão que lhes está confiada. Não viram as costas á luta. Vão, muitas vezes com o sacrifício da própria vida, mas vão. Em casa deixam famílias inteiras. No local de trabalho fica o espaço feito em nada.

Ter estas pessoas, BOMBEIROS, homens e mulheres na plenitude de todas estas capacidades a ganhar uns singelos 45€ por cada 24h de operacionalidade, resumindo tudo isto a 1,87€ por hora é caso para colocarmos algumas questões.

Mas como é de reclusos que estavamos a falar, é acerca deles que vou deixar uma breve ponderação, que deve ser transversal desde quem pretende integrar as Equipas de Combate a Incêndios (ECIN) até aos mais altos responsáveis Governamentais: que estranho país é este que retribui reclusos a 2,25 €/hora e depois despreza e menospreza os seus bombeiros dando-lhes uma esmola de 1,87 €/hora?

É caso para dizer, “levem-me preso”!

Luís Gaspar

Commentários

Commentários